10 razões para conferir a série ‘Stranger Things’

*Traduzido do site Goliath.com

JAMES SHELDON | 15 de julho de 2016

Você está pronto para o lançamento mais subestimado do Inverno de 2016? Não, não estamos falando de Pokemon Go, mas sim de Stranger Things, a ficção científica/suspense sobrenatural produzida pela Netflix, escrita e dirigida pelos Irmãos Duffer  (Ross e Matt), baseada em algumas coisas realmente estranhas que acontecem em uma pequena cidade americana no início dos anos 1980. E para quem gosta de histórias baseadas em fatos reais, esta pode muito bem ser, você sabe, uma dessas séries de eventos que nós simplesmente não falamos a respeito porque as pessoas podem pensar que somos loucos. Mas se você precisa de mais razões para assistir a série, bem, dê uma olhada abaixo.

  1. Netflix sempre entrega as mercadorias

Para citar o grande Mugatu, de Zoolander: “Netflix, is so hot right now!” (A Netflix tá tão excitante agora!”. A empresa que provocou a falência das locadoras de vídeo está operando em um modelo de baixo risco / alta recompensa que está devorando tudo, desde os consumidores (audiência) a brilhantes troféus de prêmios, graças a uma incrível biblioteca de programação original. Os espectadores devem esperar a mesma coisa de Stranger Things. A julgar pelo trailer, parece eficiente, a época está bem representada, o elenco está nivelado, e o tom geral é um atrativo obscuro e misterioso para o público específico do gênero. Os dois grandes nomes no elenco também devem atrair alguns velhos fãs que estão curiosos para ver o que eles estão fazendo. (Falaremos mais adiante sobre eles). Stranger Things pode não ser uma preferência unânime, mas deve se alinhar bem com os formatos de vídeos com duração de uma hora já disponíveis na Netflix. E quando se trata da primeira temporada, os telespectadores poderão mergulhar profundamente nesse universo em apenas oito episódios.

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  1. Bingewatchability (neologismo para maratona de filmes e séries)

Não, a palara “bingewatchability”* não existia, mas graças a Netflix,  agora existe. Ela se encaixa perfeitamente na nossa sociedade contemporânea. Como mencionado, Stranger Things chega com a primeira temporada ostentando oito episódios com duração em torno de uma hora, e foi lançado em 15 de julho desse ano, ou seja, alguém provavelmente terá terminado de assistir em tempo de curtir a sexta à noite, enquanto outros vão guardar a sessão de maratona para sábado. Seja qual for o caso, não é difícil imaginar que a maioria das pessoas vai assistir o primeiro episódio e seguir imediatamente com o segundo e terceiro, ou decidir, “isto não é para mim”, e começar a procurar outras opções de duas horas. E isso é uma das melhores razões para ter Netflix, e assimilar essas produções originais da Netflix. Se está muito quente lá fora para sair e curtir até o sol se pôr, há uma alternativa muito agradável, por que não dizer “estranha”, disponível pelo período de oito horas.

* Nota do tradutor: o neologismo “bingewatchability” dá a ideia de se assistir a algo (filmes, séries) sem moderação, por um curto espaço de tempo. Ou seja, o mesmo que aqui no Brasil chamamos de “maratona”. “Binge”  é como uma farra, termo usado em conjunção com “eating” ou “drinking” para remeter ao exagero nos comes e bebes, respectivamente “compulsão por alimentos” e “consumo excessivo de álcool”.

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  1. A série gira em torno de controvérsias

OK. Não é tanta controvérsia, mas há alguma sim. É difícil imaginar quaisquer implicações legais que ocorram por causa da produção de Stranger Things, mas o que foi feito é digno de nota. O título original da série era Montauk, que aparentemente soava muito familiar com um documentário lançado em 2015, o Montauk Chronicles, que também é rico nesse tom misterioso. Ambas as obras, na sua essência, provavelmente foram inspirados por algumas das curiosidades inexplicáveis decorrentes de crianças desaparecidas, e alegam terem ocorrido experiências na Base da Força Aérea de Camp Hero, em Montauk, Nova Iorque. Stranger Things se passa em um local diferente, e as mudanças foram feitas por causa da história contada na nova série da Netflix, que está fundamentada em coisas estranhas que começaram a acontecer na pequena cidade no extremo nordeste de Long Island, Nova York.

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  1. Matthew Modine

É tão bom ver Matthew Modine no elenco deste suspense. Esse cara estava subutilizado depois de seu trabalho em Nascido para Matar de 1987 (Full Metal Jacket), e talvez muito disso foi por escolha. Matthew nunca batalhou realmente para ser uma celebridade, mas quase tudo o que ele fez tem resistido ao teste do tempo. Para um monte de telespectadores, Matthew Modine não é um nome que traga lembranças ou chama a atenção, mas em termos de “conjunto da obra” ele é um grande atrativo para este projeto. Em suma, se Matt está lá, o roteiro é sólido. Isso significa que ele vai ser bem traduzido para a tela? Não necessariamente, mas, neste caso, todos os elementos se unem mais uma vez, e, considerando que é uma primeira temporada, Netflix deve desfrutar de um outro vencedor, e Matthew Modine é uma grande parte da fórmula para o sucesso.

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  1. Limitadas opções de diversão para esse inverno

Vamos considerar as opções de entretenimento nos cinemas para o resto do inverno. Bem, há Caça-Fantasmas, Esquadrão Suicida, Conexão Escobar (The Infiltrator), Jason Bourne, e … honestamente, não há muito mais a ser considerado como atração para bilheteria. Stranger Things irá te oferecer a oportunidade de ter várias horas de entretenimento com desconto, enquanto sai pra passear com a família, amigos, ou (se você preferir) ficando trancado, isolado, incapaz de piscar o olho a cada episódio que se desenrola. Isso realmente não é motivo para promover a Netflix, mas este foi um lançamento perfeito para o planejamento de inverno da empresa. Eles usaram uma página de J.J. Abrams e da equipe por trás de Super 8, um filme semelhante com temas que surgiram durante os dias calorentos do verão americano. Em relação a Stranger Things, é outra série muito agradável para assistir com a família com crianças a partir de uma certa idade. Considerando um grande plano de lançamentos para o verão dos EUA, a série pode muito bem ser considerada dentro do Top 10 de lançamentos para o ano, após sua consolidação.

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  1. Agradáveis anos 1980

Já tem mais de 30 anos que a década de 1980 se passou mesmo?  E estamos nos aproximando rapidamente da marca dos 40 anos. Bem, isso faz oficialmente os anos 80 irem para o status de vintage (se você nasceu nos anos 1980 lamentamos te informar isso). Para nós, tem algo mais agradável sobre filmes ambientados na década de 1980 do que alguns filmes que foram efetivamente  produzidos naquela época. Com o knowhow sobre filmes ambientados nos anos 1980 disponíveis em larga escala, os cineastas ficam livres para ser capazes de focar a atenção nos destaques, com os benefícios da tecnologia moderna para tornar mais fácil a recriação da época. Stranger Things é ambientada em 1983, e trará um sentimento incrivelmente nostálgico para muitos que o assistirão, no mesmo sentido que essa época será considerada misteriosa para as crianças que verão os personagens da mesma faixa etária na tela. Em última análise, é um cenário perfeito para essas coisas estranhas acontecerem. Os anos 1980 foram parte de um mundo ainda dependente da tecnologia analógica, com interação, comunicação e compreensão face-a-face, em oposição à era digital instantânea em que vivemos agora. E quando o sobrenatural ataca, a compreensão do perigo se torna muito maior.

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  1. Elenco de atores relativamente desconhecidos

Você tem que amar ver crianças tornando-se estrelas na telinha, e não se engane, alguns desses jovens de Stranger Things provavelmente terão carreiras impressionantes. Para a maioria das pessoas, à exceção de Matthew Modine, Winona Ryder e David Harbour, a maior parte deste elenco é de desconhecidos. Há algo agradável em rodar uma história cinematográfica com atores que não são facilmente reconhecidos, ou que nunca atuaram em um papel icônico. É mais fácil de mergulhar na história com eles, já que há uma universalidade que nos conecta melhor pois eles são facilmente aceitos como “pessoas como nós”, em oposição a uma celebridade de grande nome. Com o desenrolar da série, os telespectadores provavelmente vão gravitar em torno de várias das crianças, e se agarrar em algumas como favoritas e que serão seguidas pelo resto de suas carreiras. E para quem viu os primeiros oito minutos que a Netflix disponibilizou para atrair os telespectadores, se você precisa de um ponto de partida, o que acha do grande trabalho feito por Noah Schnapp?

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  1. Temas obscuros e bizarrices características

A Netflix fez um ótimo trabalho mantendo essa obra em segredo. Eles não empurraram Stranger Things como fizeram com o lançamento inicial de House of Cards, ou a temporada mais recente de Orange Is The New Black. Eles mantiveram esta série no âmbito do mistério e da intriga, deixando sob o título de Montauk por mais tempo do que o habitual para um projeto deste tamanho, e ofereceu uma provocação aqui e ali, sem divulgar o que realmente acontece nesta história. Acontece que, o que muitos pensavam que seria um drama sobre uma mãe à procura de seu filho sequestrado, na verdade é um suspense de ficção científica sobre uma criança que foi sequestrada sem deixar vestígios, e das subsequentes lutas para peneirar todo um universo bizarro com o objetivo de resolver o mistério. E por bizarro, queremos dizer com aspectos sobrenaturais, não apenas um maluco que fica na esquina da rua e grita com nada.

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  1. Winona Ryder

Você tem que amar Winona Ryder. Ela é tudo que as pessoas não acham que ela é. Aquela que nasceu em Minnesota, criada em uma comunidade da Califórnia, essa atriz é tão incrivelmente complexa quanto você poderia imaginar, e isso aparece nos papéis que ela escolhe. Olhando para seu currículo, ela é muito destemida quando se trata de escolher papéis, e é sempre bom vê-la pouco depois de se afastar dos trabalhos, já que ela não tinha um papel divulgado desde Cisne Negro (Black Swan) em 2010. Houve também todas aquelas coisas estranhas, incluindo sua batalha contra a cleptomania, que aconteceu em anos anteriores a esse, por isso é bom vê-la tanto nesta série quanto no provável papel a ser reprisado, de Lydia Deetz, na provável sequencia de Beetlejuice. Apesar de Winona ter o nome mais comercializável de Strange Things, ela não é única vantagem da série . Em outras palavras, não espere vê-la em todas as cenas, perseguindo o mistério que envolve seu filho desaparecido, mas ela é muito boa ao utilizar o tempo de cena que recebe.

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  1. Apelos para a criança que existe em cada um de nós

A melhor coisa sobre séries/filmes nessa linha de entretenimento, é que ela atrai a imaginação de infância de cada espectador. Nos primeiros dois minutos, voltamos para a mentalidade de uma criança pré-adolescente, perguntando: “E se isso aconteceu comigo?” Quando se trata de aventuras da vida real, poucos de nós (se houver) experimentam as insanidades que acontecem nestes suspenses sobrenaturais. Aqueles que vivem isso são mais frequentemente considerados como loucos, mentirosos, pessoas de caráter pobre, e normalmente submetidos ao pré-julgamento de seus pares críticos para o resto de suas vidas. Desse modo, e até que possamos encontrar a prova definitiva de existência do sobrenatural neste mundo, esses tipos de séries/filmes são um caminho razoável a percorrer, a fim de deixar todos em uma zona mais confortável, mantendo a imaginação como membro da audiência, e evitando serem rotulados como alguém desagradável. Por todas estas razões, em última análise, Strange Things promete ser uma viagem alucinante!

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Originalmente publicado no limboreverso.blogspot.com, do mesmo autor e tradutor